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Felicidade é possível?

Felicidade é possível?


Existem pelo menos quatro razões para a infelicidade humana: temer a ira dos deuses, apavorar-se diante da morte, escolher mal os objetos do desejo e angustiar-se ante o sofrimento. A felicidade, entretanto não é difícil.


A ira dos deuses e o pavor da morte caem por terra quando compreendemos que não estamos sujeitos ao temperamento dos deuses, sejam muitos ou seja somente um. O mundo parece funcionar de acordo com um dinâmica essencialmente atômica. A morte é a desagregação de nossa atual composição atômica, ou seja, essa configuração que resultou em nosso corpo e que o mantém em funcionamento, seja em nível físico, intelectual, emocional, etc. Enquanto somos, não há morte; e quando a morte chega, deixamos de ser. Não há sofrimento pós-morte. Pode haver algum antes que ela se concretize, mas não depois. E mesmo esse que pode precedê-la tem fim certo.


Já a escolha do objeto de desejo e a angústia ante o sofrimento têm a ver com a ética que adotamos. Precisamos entender que dor e prazer mesclam-se na vida. Prazer não tem nada de mal em si, mas o modo como o buscamos pode ser destrutivo ou não. Muito do prazer enlatado que as pessoas compram quando vão em busca de fontes imediatas de satisfação acaba por prejudicar sua própria vida e a de outros. Isso traz infelicidade. Devemos, sim, buscar o maior prazer possível e evitar o máximo de dor possível para nós mesmos e para outras pessoas. Viva com prazer, mas não deixe de avaliar "como" pretende fazer isso. Prazer duradouro e benfazejo conjuga afetividade com racionalidade.


A vida é boa. Ninguém quer perdê-la. Mas o grande barato da vida é desfrutar de bem-estar o maior tempo possível e isso passa pela paz interior, pelas amizades (de verdade) e pelo gosto pelo que é verdadeiro. Não há deuses a quem temer ou a quem recorrer. Não há mistério na morte. Não há prazer errado, mas modos ilegítimos de se obter prazer. Não há como nunca sentir dor em algum grau, mas podemos evitá-la ou remediá-la de muitas maneiras. Há prevenção e remédio para a maioria das dores que podemos experimentar no dia-a-dia. O que nunca devemos é nos angustiar ante a possibilidade de perder o que nos dá prazer ou de deparar com o que nos possa causar dor, porque isso já seria sofrimento antes mesmo de qualquer situação concreta de dor.


Viver hoje do jeito mais gostoso possível, sem angústia, sem medo, sem stress. Extrair prazer das pequenas e grandes coisas. E nunca esquecer que nossa própria finitude deve ser nosso maior incentivo à felicidade e a realização plena de nós mesmos. Colocar metas alcançáveis e produtivas, que tragam satisfação, e não ansiedade na tentativa de fazer o que é impossível, é uma das muitas maneiras de realizar seu potencial sem perder a si mesmo de vista.



O final de semana está chegando. Curta o que resta da semana e aproveite sua folga. E por "aproveitar" eu quero dizer simplesmente desfrutar o que dá prazer, não necessariamente o que agita. Pode ser o simples ato de sentar-se sob uma árvore e ler um bom livro. Existem mil maneiras de sentir prazer sem prejudicar a si mesmo ou aos outros: invente a sua!!!



Escrito por Sergio às 14h53
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Desculpem o silêncio...

Sei que não tenho escrito nada desde que Emanuel e Larissa voltaram de Fortaleza. Desculpem... É que estou atolado de trabalho e estudo. Mas prometo que escreverei algo logo. Só não sei se o que vocês lerão será melhor do que o silêncio, mas como sou teimoso, vou arriscar... ahahahaha

Curta a semana, porque a semana depois de quarta-feira é curta!!!

Abração!!!

Sergio

P.S.: Aproveitem para ler aqueles posts que ficaram pra trás por falta de tempo ou porque havia outros que interessavam mais em determinado momento. Críticos, elogiosos ou complementares, todos os comentários são bem-vindos, como sempre!!! :)

Escrito por Sergio às 12h18
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Enfim, voltaram!!!

Ontem, às 00:50 aproximadamente, Emanuel e Larissa desembarcaram no aeroporto internacional Tom Jobim. Eles vinham de Fortaleza, CE, depois de 8 dias de descanso e balada no paraíso. Larissa conheceu a mãe e a família do Emanuel, visitou vários lugares com ele, e curtiu boa parte do que a noite fortalezense oferece de bom.

Por aqui eu fiquei com saudades. Tive que viver a semana inteira por minha conta. Lá eles também ficaram com saudade. Larissa sentindo falta do Rafael, namorado dela. Emanuel sentindo falta de mim, porque cachorro a gente não tem... kkk E todo mundo esperando para trocar novidades.

Como sei que meus amigos blogueiros e simpatizantes de blogs estão curiosos sobre os últimos acontecimentos, estou postando algumas fotos para que vocês vejam que coisas lindas são esses dois!!! :)

Tenham todos um domingo maravilhoso, porque nem só de cearenses se faz o paraíso!!!!

 

 

 No aeroporto Tom Jobim antes de embarcarem

 Em frente ao Centro Cultural

Ecologicamente correto... kkk

  Comendo camarão na Beira-Mar

 Emanuel na piscina do hotel

Planetário

 



Escrito por Sergio às 12h13
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Artigo do Antropólogo Dr. Luiz Mott

 Memória gay no Brasil:
O amor que não se permitia dizer o nome(1)

Fonte: http://br.geocities.com/luizmottbr/artigos07.html

 

"A universalidade absoluta e a indestrutibilidade obstinada da homossexualidade provam que ela se deriva, de uma forma ou de outra, da própria natureza." (Schopenhauer, O Instinto Sexual, 1859)

A perda da memória nacional


Não há como não concordar com a opinião generalizada nos últimos anos de que "o Brasil é um país sem memória". Nação jovem, composta em sua maior parte por gente pobre e de baixa escolaridade, com presença significativa de descendentes de imigrantes estrangeiros, poucas são as famílias que podem vangloriar-se de possuir árvore genealógica com raízes que ultrapassem um século de registro.
Pouquíssimas são as pessoas que dispõem de objetos, manuscritos ou relíquias de seus antepassados. A voracidade insaciável dos insetos, a umidade inclemente dos trópicos, a falta de mentalidade conservacionista, a incúria de nossos dirigentes, são outros fatores que explicam a perda prematura de nosso patrimônio e memória.


A ideologia extrativista e a tática de terra arrasada que dominaram a conquista do Novo Mundo e do Brasil em particular, abriram espaço para a cristalização de uma mentalidade que valoriza o novo e prioriza o contemporâneo, considerando o passado como velho e o antigo como anacrônico. A famigerada destruição, no final do século XIX, por ordem governamental, da documentação relativa ao cativeiro dos africanos e seus descendentes no Brasil logo após a abolição da escravatura; a demolição da Catedral da Bahia, o maior templo colonial da América Latina, na segunda década do século XX; a destruição inclemente da Mata Atlântica e da Amazônia às vésperas do século XXI, são alguns tristes exemplos do desprezo como os brasileiros vem tratando seu patrimônio natural e histórico(2) .
Se em termos de cultura material poucas cepas das elites dominantes de antanho conseguiram conservar até o presente alguns monumentos de seu passado opulento, para as categorias sociais despossuídas - índios, negros, mestiços, colonos pobres, artesãos - quase nada sobrou que testemunhe fisicamente a existência de tais populações que constituíam a maioria demográfica do Brasil Colonial e Imperial.


Mais ainda: mesmo a documentação manuscrita e a produção literária antiga conservadas, referem-se quase exclusivamente ao mundo dos homens brancos - pairando desconcertante silêncio sobre a pluralidade da população brasileira, depreciativamente chamada pelos donos do poder, de "gentalha" e "arraia miúda", raramente de "povo" ou "plebe". Raras são as informações e registros sobre as mulheres, escravos, populações indígenas e demais minorias sociais, que somadas, constituíam a maioria do povo brasileiro - malgrado minoritárias no acesso ao poder e ao direito de ficar na história.

Repressão aos filhos da dissidência
Dentre as minorias sociais constitutivas do povo brasileiro, os homossexuais representam o grupo social cuja história oferece a maior contradição e surpresa em termos de sua memória, pois, por incrível que se possa imaginar, os gays, lésbicas e travestis constituem um dos grupos sociais cuja memória é a mais rica de detalhes no conjunto de toda a "gentalha".


Tal situação privilegiada e insólita se deve a uma triste realidade histórica: no Brasil antigo, a homossexualidade, então chamada de "sodomia", foi considerada dentre todos os crimes, como o mais hediondo, equiparado na sua punição, aos delitos de lesa majestade e à traição nacional. Por sua condição de crime gravíssimo, perseguido por três instâncias jurídicas, foi o delito que deixou maior quantidade de registros e consequentemente, oferece maiores recursos para o resgate da memória de seus abomináveis praticantes. O mais tabu e nefando dos crimes - isto é, proibido até de ser mencionado - foi o que produziu o maior volume de páginas escritas.


Eis o que prescrevia a legislação metropolitana à época da descoberta do Brasil: "Dentre todos os pecados, bem parece ser o mais torpe, sujo e desonesto o pecado de Sodomia, e não é achado um outro tão aborrecido ante a Deus e o mundo, pois por ele não somente é feita ofensa ao Criador da natureza, que é Deus, mais ainda se pode dizer, que toda a natureza criada, assim celestial como humana, é grandemente ofendida"(3) .


Pecado contra o 6o Mandamento da Lei de Deus, a sodomia tornou-se crime punível por três diferentes tribunais: a justiça del Rei, do Bispo e da Santa Inquisição. Tão ferrenha condenação ao amor entre pessoas do mesmo do mesmo sexo tem sua explicação numa superstição hoje descartada pela própria Igreja Católica: a crendice de que a cópula anal atiçava a ira divina, colocando em grave risco o equilíbrio do mundo criado por Deus(4) .


A teologia oficial da cristandade medieval e pós-Concílio de Trento postulava que o simples pronunciar da palavra "sodomia" era suficiente para desencadear abomináveis tragédias: "Somente falando os homens neste pecado, sem outro ato algum, tão grande é o seu aborrecimento, que o ar não o pode sofrer, mas naturalmente fica corrompido e perde sua natural virtude. Por este pecado lançou Deus o dilúvio sobre a terra e por este pecado soverteu as cidades de Sodoma e Gomorra; por este pecado foi destruída a Ordem dos Templários por toda a Cristandade em um dia. Portanto mandamos que todo homem que tal pecado fizer, por qualquer guisa que ser possa, seja queimado e feito pelo fogo em pó, por tal que já nunca de seu e corpo e sepultura possa ser ouvida memória"(5) .


Aí está a nosso ver a justificativa ideológica que explica a terrível repressão anti-homossexual na península ibérica - e particularmente no mundo luso-brasileiro, assim como a chave para entender a produção e insólita conservação de fantástico acervo documental relativamente aos sodomitas, sobretudo a partir da época das grandes descobertas.


"Filhos da dissidência" foi como o Inquisidor Cardeal D. Henrique e seus sucessores chamavam aos sodomitas a partir dos meados do Século XVI - expressão que sintetiza de maneira emblemática o significado sociológico e revolucionário representado pelo estilo de vida dos homossexuais já no início dos tempos modernos. Dissidência remete à idéia de cisma, cisão, dissensão de opiniões ou de interesses, desavença, desinteligência, dissídio, discrepância, contraste, oposição - condutas altamente anti-sociais num mundo inspirado pelo ensinamento evangélico que postulava "um só rebanho e um só pastor..."(6)


De fato, gays, lésbicas e travestis representavam, em grau superlativo, toda esta perigosíssima gama de dissidências, particularmente em três níveis:


1. Os homoeróticos desafiam acintosamente as regras consuetudinárias da união dos corpos, baseando a aproximação e efetivação de tais ligações na atração física e na paixão - enquanto as uniões dos casais heterossexuais, na tradição Ocidental e na quase totalidade das sociedades tribais, tinham como móvel a aliança de interesses familiares, selando-se através do matrimônio, novos arranjos do patrimônio.


Pesquisas revelam que coube aos homossexuais, desde os tempos mitológicos de Ganimedes(7) , a invenção do amor romântico. Romeu e Romeu se amaram muito antes que Romeu e Julieta - ou como declarou o santo Rei Davi a seu amante Jônatas, "tua amizade me era mais maravilhosa do que o amor das mulheres. Tu me eras deliciosamente querido"(8) . A liberdade de amar proposta e praticada pelos homoeróticos representava mais do que uma dissidência nestes quase quatro mil anos de história judaico-cristã: era o próprio cisma e destruição de um dos alicerces sobre o qual se sustentava toda a ordenação social do mundo antigo: a disciplina dos corpos.


E eis que nesta virada do milênio, somos testemunhas de uma inédita reviravolta na história sentimental da humanidade: numa época em que o casamento tradicional está em crise e o número de divorciados aumenta no mundo inteiro(9) , nós, homossexuais ao lutarmos pelo reconhecimento das uniões e parcerias entre pessoas do mesmo sexo, emergimos como a última tribo romântica do universo, reivindicando o reconhecimento legal do que nossos antepassados homófilos inventaram e que a sociedade heterossexista há milênios quer nos privar: o reconhecimento do amor e da paixão como critério de união entre dois corpos, independentemente de que sexo sejam.


2. Outra grande ameaça ao establishment heterossexual representada pelos filhos a dissidência é a dissociação do prazer sexual da reprodução. Diz um ditado popular brasileiro que "homem com homem dá lobisomem e mulher com mulher dá jacaré" - ou seja, relações homoeróticas não reproduzem, ao contrário do que era praticamente inevitável nas relações heterossexuais - a gravidez indesejada. Persiste até hoje, na linguagem popular, como um reflexo desta ditadura fisiológica, a expressão "fazer neném" como sinônimo de "fazer amor". O próprio Freud profetizava que a emancipação sócio-sexual da mulher só se tornaria realidade quando a sexualidade estivesse livre do risco da gravidez indesejada - vaticínio realizado em parte, somente nas últimas décadas, com a popularização dos novos métodos anticoncepcionais.


Até hoje, a moral cristã condena o sexo não reprodutivo, negando o direito ao matrimônio mesmo aos casais de sexo oposto que tenham incapacidade física de seguir a ordem de Javé, "crescei e multiplicai-vos!" Hoje, a Igreja Católica ao radicalizar sua homofobia, declarando no seu mais recente Catecismo que "a homossexualidade é intrinsecamente má", o que está subjacente a este anátema é a esterilidade procriativa das ligações unissexuais - preconceito absurdo num mundo ameaçado pela explosão demográfica e contraditório, posto que a mesma Igreja considera o celibato valor superior ao estado conjugal.


3. Uma não menos perigosíssima e abominada discrepância há milênios capitaneada pelos homossexuais é a quebra das barreiras socialmente estabelecidas nas interações sócio-sexuais: não temendo a reprodução de indesejados bastardos ou mestiços, não tendo patrimônio nem genealogias a compartilhar, movendo-se tão somente pela paixão e tesão, os gays sempre foram muito mais democráticos que os heterossexuais em suas relações com os diferentes grupos sociais, ultrapassando as fronteiras de raça, cor, etnia, idade e status sócio-econômico. Por exemplo, a conhecida preferência do cineasta Pasolini por jovens pobres e suburbanos é bastante comum no milieu homossexual tanto em Lisboa como no Rio de Janeiro e Bahia desde o século XVII até a atualidade; os numerosos grupos gays inter-raciais, intitulados "Black and White Men Together" espalhados pelos Estados Unidos, Caribe e Brasil; a batalha do movimento homossexual pela diminuição da idade da maioridade sexual em diversos países do mundo, são alguns exemplos de revolucionárias quebras de fronteiras propostas e praticadas pelos filhos da dissidência. Tais inovações assustam e provocam reações homofóbicas em variegados setores sociais, incluindo o Senador norte-americano Jesse Helms, a Conferência Nacional dos Bispos da Áustria e do Brasil, principalmente o Vaticano, e nos últimos anos, sobretudo as igrejas cristãs fundamentalistas. Estas últimas, notadamente na América Latina, vêem realizando campanhas sistemáticas em nível intercontinental, visando a recuperação de "ex-gays"(10).


Já na década de 7O o intelectual francês e líder gay Guy Hocquengen, expressava de forma irreverente e maravilhosamente sintética o potencial cismático da homossexualidade ao declarar: "o buraco de meu cu é revolucionário!"(11) De fato, a cópula anal de um lado e o homoerotismo do outro, embora não sejam sinônimos nem mantenham dependência funcional, tais condutas heréticas abalam os próprios fundamentos constitutivos da sociedade baseada na chamada "família biológica", ao propor a utopia da liberdade sexual, ao questionar a naturalidade do antagonismo dos sexos, ao negar a superioridade do macho vis a vis a fêmea, ao defender como via alternativa o terceiro sexo, a androginia, a unissexualidade e quantas outras vivências do papel de gênero e orientações sexuais a polimorfa e perversa imaginação humana tiver condição de criar.



Escrito por Sergio às 15h17
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Convém enfatizar que tais inovações revolucionárias, muitas vezes cristalizadas em sub-culturas gays(12) diferenciadas da sociedade envolvente, podem ser observadas em incontáveis países dos quatro continentes, sendo que nas sociedades escravistas do Novo Mundo, foram os homossexuais ainda mais temidos e perseguidos por representarem, aos olhos dos donos do poder, uma visceral ameaça à própria manutenção e continuidade do projeto colonial(13). Explico-me melhor: no Brasil, durante os quase quatro séculos do regime escravista, os brancos representavam em média tão somente ¼ de toda população. Esta elite de machos brancos devia manter submissos e obedientes, milhões de negros, índios, mestiços e escravos - além das próprias mulheres brancas - como condição de perpetuação de sua hegemonia. Num ambiente social tão hostil e conflituoso, onde aproximadamente apenas 10% de homens brancos dominavam todo o restante da sociedade, somente super-machos - fortes, agressivos e poderosos, tinham condição de manter sua supremacia face à multidão dos oprimidos.
Tal é minha interpretação, baseada na etno-demografia-histórica, para explicar a maior virulência do machismo nas antigas colônias latino-americanas, em comparação com o machismo observado nas metrópoles ibéricas. No México, em Cuba, no Brasil, os colonos vindos de Portugal e da Espanha tiveram de ser muito machos para manter submissa toda a "gentalha": não havia espaço nesta sociedade de conquistadores armados até os dentes, para menino delicado, rapaz sensível, homem que chora ou que se mistura democraticamente com as "raças impuras"(14) , macho que dá as costas e se deixa cavalgar por outro macho. Tais homens, vistos e tratados pelas leis como criminosos de lesa majestade e traidores da nação, representavam perigosíssima ameaça à ideologia machista, patriarcal e falocrática, pois fragilizavam a imagem da invencibilidade do macho dominante - sempre pronto a "fazer neném", a foder e penetrar os inferiores - sejam as mulheres de todas as raças e estamentos, sejam outros machos que por ventura se deixem dominar(15).


Foi exatamente para evitar este risco essencial de demolição da ordem estamental que os aparelhos ideológicos do estado colonialista - o Rei, a Igreja e as elites fundiárias - se deram as mãos, proferindo anátemas, promulgando leis draconianas e perseguindo com ferro e fogo aos filhos da dissidência que ousassem seguir seu nefando e diabólico destino: amar o mesmo sexo.


Assim sendo, nesta cruzada contra os sodomitas, El Rei Nosso Senhor e a Santa Madre Igreja, além de atemorizar e ameaçar com severas penas os praticantes do "abominável e nefando pecado de sodomia", prenderam por longos anos em cárceres infectos, grande número de "fanchonos e somítigos", seqüestraram seus bens, processaram-nos, açoitaram-nos publicamente, divulgando nos Autos de Fé suas sentenças com humilhantes detalhes íntimos, degredando para terras inóspitas do além mar um sem número de réus, condenando à fogueira os considerados incorrigíveis(16).

O complô do silêncio contra a memória gay


Nesta política de extermínio dos filhos da dissidência, além de estimular a delação dos "somítigos encobertos" - expressão corrente no século XVII e que hoje equivaleria às chamadas "bichas enrustidas"(17)- , premiando-se regiamente aos delatores(18), os donos do poder, maquiavelicamente, lançaram mão de duas eficientes estratégias para erradicar tal categoria. Um primeiro estratagema foi extirpar na sementeira o desabrochar desta "raça maldita" (Proust), punindo os familiares que acobertassem parentes homoeróticos, decretando a morte social por três gerações sucessivas de seus colaterais e descendentes. A segunda solução desta guerra anti-homossexual nos reconduz ao tema central deste ensaio: a destruição da memória gay:


"Portanto mandamos que todo homem que fizer o pecado de sodomia, por qualquer guisa que ser possa, seja queimado e feito pelo fogo em pó, por tal que já nunca de seu e corpo e sepultura possa ser ouvida memória"(19).
Segundo os exegetas, a tradição judaica possuía dois cruciais tabus lingüísticos: de um lado, o sacrossanto nome de Deus - referido eufemisticamente como Javé, "aquele que é", do outro lado, a maldita sodomia, citada como "pecado nefando", cujo nome não podia ser pronunciado. Este segundo tabu permanece vigoroso no Novo Testamento, legitimado pelo mais homófobo dos escritores sacros, Paulo de Tarso, que na Epístola aos Efésios determinou que "estas coisas não sejam sequer pronunciadas entre vós!"(20)


Tal ensinamento é retomado pelas legislação luso-brasileira, tanto religiosa como civil, ao defender que "somente falando os homens no pecado de sodomia, sem outro ato algum, tão grande é o seu aborrecimento, que o ar não o pode sofrer, mas naturalmente fica corrompido e perde sua natural virtude" - incluindo Santo Tomás de Aquino a homossexualidade no rol dos pecados contra a natureza. Assim sendo, passam os sodomitas a ser os primeiros acusados de atentarem contra a ecologia, posto serem "agents provocateurs" de catástrofes e cataclismos. A história contemporânea contradiz esta injusta acusação, dada a exitosa associação dos "rosas" e "verdes" em várias partes do mundo civilizado(21) .


Sintomática é a diferença de procedimento observada na tradição punitiva de Portugal em se tratando de réus do crime de sodomia: no caso de crimes políticos, verbi gratia, para não se perder a memória da punição e usá-la pedagogicamente, havia o costume de se colocar um marco com inscrição elucidativa no mesmo lugar onde tinham sido arrasadas as casas e salgado o terreno onde moraram perigosos revolucionários inimigos da monarquia(22) , enquanto com os sodomitas, a legislação determinava exatamente o oposto: que tais réus fossem queimados, e suas cinzas varridas da superfície da terra, de tal sorte que "já nunca de seu e corpo e sepultura possa ser ouvida memória"(23) .


Portanto, além de se extinguir a lembrança física dos restos mortais do sodomita, os próprios familiares se encarregavam de jogar uma pá de cal sobre a memória deste indigno membro da parentela, que desonrara de forma tão vil e comprometedora seus antepassados, contemporâneos e descendentes, tornando a família inábil por três gerações para ocupar cargos públicos, eclesiásticos e militares. O caso mais notável na história portuguesa desta política familiar de destruição da memória de um membro sodomita ocorreu com os descendentes do Conde de Vila Franca, o mais nobre e famoso homossexual de Portugal seiscentista, cuja segunda geração de descendentes trocou o antiquíssimo título nobiliárquico Vila Franca por Ribeira Grande, assim agindo como estratégia para escapar da vil memória que associava o nome do malfadado conde a um crime tão abominável.

Ainda hoje, mesmo descriminalizado "o amor que não ousa dizer o nome", impera rígido complô do silêncio das famílias contra seus membros homossexuais: recentemente, em Salvador, um pai ao saber que seu filho adolescente era homossexual, entregou-lhe um revólver, ordenando: "se mate! pois na nossa família nunca teve viado!" A tradicional família do mais exuberante carnavalesco da Bahia, Evandro Castro Maia, nos anos 50, inconformada com sua homossexualidade, expulsou-o para o Rio de Janeiro, pressionando para que retornasse logo para seu exílio nas raras vezes que voltava a sua terra natal. Muitos são os casos conservados no Arquivo do Grupo Gay da Bahia onde se registra que familiares pressionam policiais e jornalistas para que omitam a homossexualidade de seus parentes quando vítimas de crimes homofóbicos(24) . É prática corrente na generalidade das famílias brasileiras a destruição de cartas, diários, livros, fotos e materiais pessoais logo após o falecimento de parentes gays, lésbicas e travestis, destruindo-se assim a memória daquela "ovelha negra" da família. A duras penas o movimento homossexual brasileiro tem conseguido salvar alguns destes pequenos acervos, cuja culpa por sua destruição deve ser compartilhada pelos próprios homossexuais, que de forma alienada e vítimas eles próprios de homofobia internalizada, enquanto homossexuais egodistônicos, têm vergonha de sua própria história de vida, preferindo deixar perder sua memória em vez de perpetuar-se através de suas biografias baseadas em documentação original de primeira mão.

Resgatando a memória gay


Com base em minhas numerosas pesquisas e publicações sobre a história de diversas minorias sociais - negros, índios, escravos, mulheres e homossexuais - posso afirmar que de todos esses grupos, os "sodomitas" constituem provavelmente a tribo a respeito da qual dispomos o maior número de informações sobre sua vida quotidiana, mentalidade e detalhes esclarecedores sobre sua privacidade.


Exatamente pela condição de crime gravíssimo, cuja comprovação exigia descrição minuciosa da morfologia dos atos eróticos e da performance libidinosa dos réus, os autos e processos, sobretudo os da Inquisição, são ricos de detalhes relativamente ao homoerotismo, além de fornecer informações essenciais sobre o status sócio-profissional, cultural e econômico das vítimas e de seus parceiros.
Para Portugal e Brasil nos tempos modernos - período e área geográfica de nossa especialidade - a partir de 1536, quando é fundado o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, embora a sodomia continuasse a ser considerada crime de mixti fori, podendo ser reprimido e julgado pelos dois foros, o Real e o Inquisitorial, na prática, a Inquisição monopolizou a repressão aos sodomitas, sendo portanto seus arquivos o principal acervo documental para o resgate e reconstituição da história dos homossexuais luso-brasileiros.


Para felicidade dos pesquisadores, a quase totalidade da documentação inquisitorial relativamente ao pecado nefando encontra-se concentrada no mais antigo arquivo português, a avoenga Torre do Tombo, considerado pelos experts como um dos mais ricos arquivos de toda Europa(25) . Desde 1983 até o presente, já dediquei mais de dois anos de minha vida à consulta e registro dos manuscritos inquisitoriais referentes aos sodomitas, tendo publicado mais de mil páginas em várias dezenas de livros e artigos, sobre este tema ainda tão pouco explorado pelas ciências sociais em língua portuguesa(26).


Reconhece-se que a documentação da Inquisição Portuguesa sobre a homossexualidade relativamente aos séculos XVI, XVII e XVIII representa o maior acervo que se tem notícia em todo mundo, cobrindo por volta de 50 mil folhas manuscritas, que incluem mais de 4 mil denúncias registradas em grossos índices intitulados "Repertórios do Nefando", além de 20 polpudos "Cadernos do Nefando" com mais de 500 folhas cada um, referentes aos tribunais de Lisboa, Évora e Coimbra. A pérola mais preciosa deste rico acervo é uma coleção de aproximadamente 500 processos de sodomitas que foram efetivamente presos e sentenciados, dos quais 30 terminaram seus dias queimados nas fogueiras dos Autos de Fé(27).


Tal acervo, muito mais volumoso e detalhado do que o relativo às Inquisições Espanholas, é riquíssimo de informações qualitativas sobre a sub-cultura gay do mundo lusitano, incluindo além do Reino de Portugal, dados sobre os territórios portugueses do Brasil, África e alguns poucos processos do Tribunal indiano de Goa. Através destes documentos podemos não apenas reconstituir os principais aspectos da demografia e etnografia dos "fanchonos" nestes três continentes, como resgatar em muitos processos, suas expressões idiomáticas, modismos, gírias e até frases inteiras e diálogos, além de preciosas e raras cartas de amor(28).



Escrito por Sergio às 15h16
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Um aspecto particularmente interessante destes manuscritos, e diverso da documentação oficial da maioria dos arquivos, é que os processos inquisitoriais relativos à sodomia trazem à luz praticamente todas as camadas sociais: escravos, marinheiros, lavradores, artesãos, comerciantes, muitos representantes do clero e das forças armadas, burocratas e nobres. Embora prevaleçam os homens adultos, também crianças e adolescentes aparecem freqüentemente entre os sodomitas.
Como o lesbianismo, chamado de sodomia faeminarum, foi descriminalizado pela Inquisição lusitana em 1646, a documentação sobre a homossexualidade feminina é bastante rara, muito embora a justiça civil continue até o século XIX a tratar esta conduta como crime(29).


Jamais teriam os Inquisidores imaginado que ao perseguir e processar com tanto rigor aos praticantes do abominável e nefando pecado de sodomia, estariam deixando para a posteridade, material informativo tão rico e dramático, permitindo-nos resgatar e reconstituir os principais aspectos da sofrida subcultura gay luso-brasileira, do século XVI ao XVIII. Mais uma vez confirma-se o dito popular: "há males que vêem para bem!"


Com a extinção do Tribunal da Santa Inquisição, em 1821, e a consequente descriminalização da homossexualidade por influência do Código de Napoleão, a "pederastia" deixa de ser crime passando a ser tratada como doença. Os médicos são os novos inquisidores desta minoria sexual, e embora tivessem a boa intenção de livrar os desviantes homossexuais da perseguição policial, passam a funcionar como cães de guarda da moral oficial, obrigando os infelizes "uranistas" a tratamentos violentos e inócuos com vistas a transformá-los em heterossexuais. Os gays, travestis e lésbicas mais ousados e explícitos, eram vítimas quer de registros pejorativos na jovem imprensa brasileira, sobretudo durante a segunda metade do século XIX - época em que também no Brasil vigorou intolerante o puritanismo vitoriano - quer de detenções abusivas praticadas pela polícia(30).
Portanto, com o fim do Santo Ofício, as principais fontes documentais disponíveis para se resgatar a memória da homossexualidade no Brasil, são os jornais e os registros policiais, além de poucas teses de medicina e direito consagradas aos "androfilistas"(31) . As fontes iconográficas sobre os homossexuais praticamente inexistem, refletindo a precariedade de nossa produção artística e fotográfica no século passado.


Chama a atenção ao pesquisador o tom altamente reprovativo e a indignação moral dos jornalistas, policiais e doutores vis-a-vis os "invertidos" durante nossa Belle-époque imperfeita. Apesar da homossexualidade deixar de ser crime, a condenação ética destilada pelos escritores oitocentistas é mais rancorosa do que o discurso dos próprios inquisidores(32).


Data de 1895 o primeiro romance brasileiro consagrado inteiramente ao amor unissexual: O Bom Crioulo, de Adolfo Caminha, sendo publicado somente em 1930 nossa obra pioneira dedicada ao lesbianismo: O Terceiro Sexo, de Odilon Azevedo. Embora a homossexualidade seja tema bastante raro e marginal na literatura brasileira, romances, poesias e peças teatrais constituem importante filão a ser explorado na reconstituição da memória de gays, lésbicas e travestis(33).


Os arquivos policiais e judiciais são outro importante manancial para o resgate da memória dos "pederastas", desde quando o Código Penal Brasileiro foi usado para enquadrar os homossexuais mais extrovertidos, notadamente as travestis, como inculpadas nos crimes de falsa identidade, vadiagem ou prática de prostituição.
Os jornais contemporâneos continuam sendo significativa fonte para o estudo da homossexualidade, destacando-se as cartas do leitor, onde geralmente a população se manifesta a favor ou contra temas ou personagens homossexuais; os editoriais e artigos de opinião, embora raramente abordem esse tema, refletem ora tendências ultra-homofóbicas, ora ideologia pró-tolerância, às vezes baseadas em pesquisas de opinião realizadas por diferentes agências - algumas chegando a detectar 80% de rejeição à homossexualidade entre os formadores de opinião no Brasil!(34) Os jornais têm sido a principal fonte por nós utilizada para reconstituir a face mais dramática da homofobia em nosso país: o assassinato de homossexuais. Inexistindo estatísticas policiais relativas aos crimes de ódio, são os jornais, revistas e os noticiários de televisão, a única fonte que documenta este verdadeiro "homocausto": a cada três dias, um homossexual é violentamente assassinado no Brasil, vítima do machismo e homofobia. Desde 1980, quando o Grupo Gay da Bahia iniciou a coleta sistemática de informação sobre tais crimes, até meados de 1999, temos documentado 1710 homicídios, dos quais os gays representam 63% destas vítimas, 31% travestis e 6% lésbicas(35). Anualmente divulgamos um boletim sobre Violação dos Direitos Humanos e Assassinato de Homossexuais no Brasil, constituindo este o principal publicação relativa à homofobia na América Latina.

Antes de concluir, convém citar além do Arquivo do Grupo Gay da Bahia, e dos acervos documentais de uma dezena de grupos gays, lésbicos e de travestis existentes de norte a sul do país(36) , a existência na Universidade Estadual de Campinas, no Arquivo Anarquista Edgar Leuroth, de uma seção especial consagrada ao Movimento Homossexual Brasileiro, reunindo documentação impressa e cartas provenientes de diversos grupos gays a partir da década de 70. Nos Estados Unidos, a Labadie Collection(37), possui a principal coleção sobre movimento homossexual brasileiro e latino-americano.


Dois foram nossos objetivos - e esperança! - ao refletir aqui sobre a Memória Gay no Brasil : primeiro, documentar uma das estratégias da violenta e cruel perseguição secular contra os homossexuais luso-brasileiros, a destruição sistemática da memória dos "sodomitas" - que queimados e tornados pó, não podiam sequer receber um túmulo que perpetuasse sua lembrança. O segundo objetivo foi revelar que malgrado tamanha intolerância homofóbica da Inquisição e demais instituições repressoras, graças aos deuses do Olimpo e aos Orixás - divindades amantes do homoerotismo - felizmente podemos contar com rica e variada documentação que a partir do século XVI até o presente, permite-nos resgatar e reconstituir, com detalhe, os principais aspectos da subcultura gay luso-brasileira de antanho.


Hoje, graças a campanhas de desenvolvimento da auto-estima e afirmação homossexual, tornando as investigações pluri-disciplinares sobre homossexualidade tema cada vez mais aceito na Academia e estimulado por agências governamentais de fomento à pesquisa(38) , tudo nos leva a crer que as próximas gerações disporão de registros significativos e bastante amplos sobre os praticantes do amor que não ousava dizer o nome(39) - que com orgulho, poderão proclamar: o Brasil é um país que preza, respeita e conserva sua memória gay. Como diz o ditado popular: "a esperança é a última que morre!"

NOTAS

1. Publicado em DEVORANDO O TEMPO: BRASIL, O PAÍS SEM MEMÓRIA. Annette Leibing & Sibylle Penninghoff-Luhl, SP, Editora Mandarim,2001. Também em alemão:
BRASILIEN - LAND OHNE GEDACHTNIS? Hamburg, Universitatspublikationen, 2001.
2. Peres, Fernando. Memória da Sé. Salvador, Edições Macunaíma, 1974, 2a Edição 1999.
3. "Ordenações Afonsinas", Livro V, Título XVII, in Aguiar, Asdrúbal A. Evolução da pederastia e do lesbismo na Europa, Separata do Arquivo da Universidade de Lisboa, vol.XI, 1926, p.519
4. Boswell, J. Christianity, social tolerance and homosexuality. Chicago University Press, Chicago, 1980; Same Sex Union in Pre-Modern Europe. New York, Billard Books, l994.
5. "Ordenações Afonsinas", Livro V, Título XVII, idem, ibidem
6. Evangelho de São João, Cap. 10 , 16
7. Conner, R. et alii. Queer Myth, Symbol and Spirit. New York, Cassell, 1995
8. II Livro de Samuel, Cap. 1, 26
9. No Brasil contemporâneo, de cada quatro casamentos, um termina em divórcio antes de cinco anos de convivência conjugal.
10. Graças a denúncias do Grupo Gay da Bahia, o Conselho Federal de Psicologia promulgou a Resolução CFP N° 1/99, (23-3-1999), onde "Estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da Orientação Sexual", determinando que "os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados, não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades."(Art.3)
11. Guattari, Félix & Rolnik, Suely. Micropolítica: Cartografias do Desejo. Petrópolis, Vozes, 1976, p. 76
12. A respeito da justeza em utilizar o termo "subcultura gay" ou "sub-cultura sodomítica" para caracterizar complexos sociais diversos, consulte-se Boswell, op.cit.; Trumbach, R. "Sodomitical subcultures, Sodomitical role, and the Gender revolution of the XVIII Century: The recent historiography", Enghteenth Century Life, 9, n.3, 1985, p.109-121; Mott, Luiz. "Pagode português: a subcultura gay em Portugal nos tempos inquisitoriais", Ciência e Cultura, fevereiro l988, 40(2)120-139;
13. Mott, L. "Slave and Homosexuality", Quaterly, S. Francisco, nº 24, 1985:10-25
14. "Raças impuras" era termo usado à época da Inquisição, que incluía todos os que não eram "cristãos-velhos", descendentes de famílias tradicionais portuguesas - notadamente os "cristãos-novos" (judeus convertidos à força ao cristianismo), negros e mestiços. Cf. Carneiro, Maria Luiza Tucci, Preconceito racial no Brasil Colônia. Os cristãos-novos. S.Paulo, Brasiliense, 1983
15. Mott, Luiz. "A sexualidade no Brasil colonial", Diário Oficial Leitura, São Paulo, nº 141, fevereiro 1994:6-8
16. Mott, Luiz. "Justitia et misericórdia: A Inquisição Portuguesa e a repressão ao abominável pecado de sodomia", in Novinsky, A. & Tucci, M.L. (Eds) Inquisição: Ensaios sobre Mentalidade, Heresias e Arte. S. Paulo, EDUSP, 1992:703-739
17. Mott, Luiz. Desviados em questão: Tipologia dos homossexuais da cidade de Salvador, Bahia. Salvador, Editora Espaço Bleff, 1987
18. Regimento do Santo Ofício da Inquisição dos Reinos de Portugal, (D.Pedro de Castilho), Impresso por P.Crasbeeck, Lisboa, 1613.
19. "Ordenações Afonsinas", Livro V, Título XVII, idem, ibidem
20. Epístola aos Efésios, Cap .5, 3
21. Silvestri, Gianpaolo, (org.) Il verde e il rosa. Materiali per una discussione. Bologna, Quaderni di Critia Omosessuale, n.5, 1987
22. Em Lisboa, a poucos passos do Mosteiro dos Jerônimos (Belém), há um destes terrenos malditos com um monumento elucidativo, sendo que por ocasião da Inconfidência Mineira, a casa do líder revolucionário Tiradentes foi demolida e seu terreno salgado.
23. Na França a justiça secular era ainda mais radical, determinando que também os documentos do processo fossem queimados juntamente com os sodomitas. Cf. Lever, Maurice. Les Bûchers de Sodome. Paris, Fayard, 1985
24. Violação dos Direitos Humanos e Assassinato de Homossexuais no Brasil, 1998. Boletim do Grupo Gay da Bahia, n.38, ano XIX, março 1999.
25. Farinha, Maria do Carmo Dias. "Os Arquivos da Inquisição existentes na Torre do Tombo". In Resumos do 1o Congresso Luso-Brasileiro sobre Inquisição, Lisboa, Sociedade Brasileira de Estudos do Século XVIII, 1987, p.313
26. Mott, Luiz. "A Homossexualidade no Brasil: Bibliografia", Latin American Masses and Minorities, Madison, Princeton University, 1987:529-609
27. Mott, Luiz. "Justitia et misericórdia", op.cit. 1992:703-739
28. Mott, Luiz. "Love's labors lost: five letters from a Seventeenth-Century Portuguese sodamite" in K. Gerard & G.Herkma Eds. The Porsuit of Sodomy, New York, The Haworth Press, 1988:91-101; Homossexuais da Bahia: Dicionário Biográfico. Salvador, Editora Grupo Gay da Bahia, 1999.
29. Mott, Luiz. O Lesbianismo no Brasil. Porto Alegre, Editora Mercado Aberto, 1989; "Leopoldina von Brasilien", Lambda Nachrichten, Viena, n.2, abri/jun.1997
30. Teles dos Santos, Jocélio. "Incorrigíveis, afeminados, desenfreiados: Indumentária e Travestismo na Bahia do século XIX". Revista de Antropologia, USP, volume 40, n.2, 1997, p.145-182.
31. Mott, Luiz. "Teses acadêmicas sobre a homossexualidade no Brasil", XXXIX Seminar on the Acquisition of the Latin American Materials, SALAM, University of Wisconsin, Madison, 1996, p. 119-125
32. Pinheiro, Domingos F. O Androfilismo. Salvador, Tese apresentada à Faculdade de Medicina da Bahia, 1898.
33. Poemas do amor maldito. Brasília, Coordenada Editora, 1969.
34. Grootendorst, Sapê. Literatura Gay no Brasil? Dezoito escritores brasileiros falando da temática homo-erótica, Tese de Qualificação, Universidade de Utrecht, Set.1993, 90 p.
35. Mott, Luiz. Epidemic of Hate: Violation of Human Rights of Gay Men, Lesbians and Transvestites in Brazil. S.Francisco, IGLRHC, 1996
36. "Violação dos Direitos Humanos e Assassinato de Homossexuais no Brasil, 1998", op.cit. A relação completa dos grupos homossexuais do Brasil pode ser consultada na homepage do
GGB
37. University of Michigan, Labadie Collection: 711 Hatcher Library, Ann Arbor MI 48109-1205, USA.
38. "Associações Científicas apoiam os direitos dos Homossexuais", Caderno de Textos do GGB, Salvador, 1990.
39. A Secretaria de Direitos Humanos da
Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis incluiu entre suas propostas de ações governamentais visando a cidadania dos homossexuais as seguintes medidas:


1. "Adotar mecanismos de coleta e divulgação de informações sobre a situação sócio-demográfica dos homossexuais e o problema da violência anti-homossexual;
2. Incluir em todos os censos demográficos e pesquisas oficiais do governo, quesitos relativos à orientação sexual dos brasileiros;
3. Apoiar a produção de publicação de documentos científicos que contribuam para a divulgação de informações corretas e anti-discriminatórias em relação aos gays, lésbicas e travestis;
4. Estimular que os livros didáticos enfatizem que muitos personagens históricos e celebridades foram praticantes da homossexualidade , eliminando os estereótipos negativos contra esta minoria sexual;
5. Incentivar ações que contribuam para a preservação da memória e fomento `a produção cultural e ao resgate da história da comunidade homossexual no Brasil;
- Formular políticas compensatórias que promovam social e economicamente a comunidade homossexual, e que acompanhem os direitos e garantias conseguidos pelas demais minorias sociais." (Boletim do Grupo Gay da Bahia, n.38, 1999)



Escrito por Sergio às 15h15
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Parada Gay 2008 da Bahia (Salvador)



Escrito por Sergio às 12h42
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São Paulo: IV Semana da Visibilidade Lésbica

IV Semana da Visibilidade Lésbica
Prefeitura de SP divulga programação completa. Confira!
Por Redação
Publicado em 15/8/2008 às 16:43
Este foi o cartaz do ano passado

A Secretaria de Participação e Parceria, por meio da Cads - Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual – promoverá a IV Semana da Visibilidade Lésbica em homenagem ao dia 29 de agosto, dia da Visibilidade Lésbica.

A programação começa no dia 23 com o evento “Piano na Praça”, que terá a participação do músico Guilherme Arantes. No dia 24 rola o torneio de sinuca “Rainhas da Sinuca”, jogos que serão disputados por duplas em bares com freqüência de mulheres lésbicas e bissexuais.

Depois, no dia 26, acontece a mesa redonda “Visibilidade Lésbica - o segmento de mulheres lésbicas e bissexuais na mídia”, com a presença de renomadas jornalistas e comunicadoras lésbicas. No dia 27, a Cads realiza uma visita à exposição “Bossa na Oca”, que homenageia os 50 anos da Bossa Nova.

Na véspera do dia da Visibilidade Lésbica, dia 28, rola uma exibição especial de filmes com a temática lésbica na Galeria Olido, centro de São Paulo. Finalmente, no dia 29, Anita Costa Prado, criadora da personagem lésbica Katita, fará uma noite de autógrafos na Livraria HQ Mix.

“Para a Cads, a discriminação e o preconceito acabam afastando as pessoas do convívio sócio-econômico-cultural e, às vezes, familiar, vivendo em ambientes segregados. Por isso é essencial a existência de atividades em locais diversos, que não sejam restritos ou indicados para um grupo em específico. Promovendo uma maior integração e a diminuição do preconceito e da discriminação”, diz nota enviada à imprensa.

Confira abaixo a programação completa:

23/08 - Piano na Praça
O evento gratuito acontecerá na Praça Roosevelt, a partir das 16h, e contará com a presença do músico Guilherme Arantes.

24/08- Início do Torneio de Sinuca: “Rainhas da Sinuca”
A competição é direcionada para o público de mulheres lésbicas e bissexuais da cidade. Será dividido em três dias. Os jogos serão disputados por duplas em bares com freqüência de mulheres lésbicas e bissexuais que já tenham mesas de sinuca nos dias 24 e 30 de agosto. A final acontecerá no dia 31 de agosto. Haverá premiação para as três duplas finalistas.

26/08 – Mesa redonda “Visibilidade Lésbica - o segmento de mulheres lésbicas e bissexuais na mídia”
Jornalistas e comunicadoras lésbicas comporão a mesa. Será aberto ao público. A atividade será no Auditório da SMPP, localizado à rua Líbero Badaró, 119, térreo, das 19h às 22h.

27/08 – Visita a Exposição Bossa na Oca
Será realizada uma visita à exposição que homenageia os 50 anos da Bossa Nova, localizada no Parque do Ibirapuera. Traslado será a disponibilizado para levar as interessadas. Os ingressos são limitados. As interessadas devem ligar para o telefone: (11) 3113-9749 (Cads)

28/08 - Mostra de curtas lésbicos
O Cine Olido, em parceria com o Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, celebrará a “Semana da Visibilidade Lésbica” com exibições especiais de filmes com esta temática. As sessões acontecerão no dia 28 de agosto, às 15h, 17h e 19h e todas estarão no programa Mix Brasil.

Serão exibidos os seguintes títulos: "Choé", de Patrice Bauduinet; "Tarde de Verão", de Wi Ding Ho; "Sem Biquíni", de Claudia Morgado Escanilla; "1977", de Peque Varela; "A nova cômoda de Ramona", de Bahdana Smyrnova; "Parabéns, Dona Daisy", de Cassandra Nicolau; "Um ano novo para Laura", de Graciela De Luca; e "Ensaio", de Maria Eng.

A Galeria Olido está localizada à Av. São João, 473, centro.

29/08 – Noite de autógrafos com Anita Costa
A criadora da personagem lésbica Katita, fará uma noite de autógrafos na Livraria HQ Mix. Praça Roosevelt, localizada entre as ruas Augusta e Consolação, atrás do Cemitério da Consolação.

Fonte: http://dykerama.uol.com.br/src/?mI=5&cID=23&iID=1574&nome=IV_Semana_da_Visibilidade_Lésbica



Escrito por Sergio às 22h45
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Supresa rima com Fortaleza!!!

Avenida Beira-Mar, Fortaleza - CE

Cada dia que passa é uma surpresa nova que a gente tem na vida!!! Às vezes, a gente não fez nada para que a surpresa acontecesse. Outras vezes, a gente participa indiretamente do processo. Mês passado eu estava de férias e Emanuel trabalhando. Minhas férias foram um simples recesso, na verdade. Coisa de uma semana. Fiquei três dias em Rio das Ostras só pra relaxar. As férias mesmo vêm em janeiro. Mas quando elas chegarem Emanuel estará trabalhando e, deste modo, como se fosse o feitiço de Áquila, a gente vai acabar não se encontrando em férias ao mesmo tempo... :(

Mas tudo na vida tem mais de dois lados!!! kkkk

Emanuel queria muito que eu fosse a Fortaleza com ele. A intenção era curtir aquela cidade linda (que eu já tive o privilégio de visitar por uma semana), e ver a família. Infelizmente, devido às férias desencontradas não dava. Pra minha SURPRESA ele me perguntou se poderia levar Larissa, minha filha. Se fosse com qualquer outra pessoa, eu jamais deixaria. Mas eu confio muito nele. Ele é sensato, centrado, responsável, apesar daquele jeito brincalhão de ser. Aliás, bom humor e responsabilidade não são auto-excludentes. ;)

Pois é... hoje, às 3:40 da madrugada estávamos levantando para nos dirigirmos ao aeroporto: Ele, eu e Larissa. O embarque foi tranqüilo e assim que eles entraram, eu fui para o trabalho. Trabalhei até 15:30... e sem perder o pique. Apesar disso, já nos falamos várias vezes hoje. Eles chegaram bem, já visitaram a mãe dele, e agora estão voltando para o hotel onde estão hospedados (pertinho da praia!!!). Já soube que a mãe e o tio dele adoraram a Larissa. Minha sogra era pura alegria quando liguei pra lá.

Do lado de cá, as coisas estão bem. Meus pais não se opuseram à viagem, porque também já perceberam que categoria de pessoa é o Emanuel. Fiquei feliz com isso. E tenho certeza de que Larissa vai voltar trazendo boas lembranças daquela terra ensolarada, onde camarão se compra por quilo e se manda fritar em quiosques à beira-mar para degustar descoladamente.

Agora é esperar até sábado que vem (8 dias!!!) para ver meus amores de volta. Mas não sou só eu que vou amargar a semana mais solitária do ano!!! :) Rafael, o namorado dela, já estava todo cabisbaixo antes da viagem. Eu disse a ele: "Não chora, menino. A gente toma um copo juntos e você lamenta a falta de uma, enquanto eu lamento a falta de dois. Topa?"  Ele riu e disse: "Com certeza, tio!!! É uma boa idéia." No fim,  a gente deve acabar se falando só pelo telefone por causa da correria da semana.

Mas nem tudo que eu amo está em Fortaleza. Meu meu baixinho que está cada vez mais grandinho está por aqui. Amanhã vamos nos encontrar e vamos passar um bom tempo juntos. Adoro esse pirralho!!! ahahahahaha



Escrito por Sergio às 18h48
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Bent - mais do que uma obra de teatro, um grito pelo direito de amar!!!

Indescritível!!!! Esta é a única palavra que me vem à mente quando penso na obra teatral "Bent" - em sua penúltima semana de apresentação no Teatro João Caetano, Praça Tirandentes (Rio de Janeiro).

Incompreensível - o preço do ingresso (4 reais!!!). A peça poderia custar, no mínimo R$ 80,00 - sem crise!!!

Inescapável - a atualidade e a urgência da temática.

Inesquecível - sensação que se tem ao final do espetáculo.

Impecável - a interpretação de cada ator, especialmente os dois prisioneiros que ficam até o final da peça.

Inadmissível - grito que a emoção e a razão exprimem em uníssono contra qualquer tentativa de coibir o amor entre pessoas de quaisquer gêneros.

Incapaz - assim me sinto ao sentar diante desse computador para falar sobre a peça. Meu coração está suspenso até agora. Passei duas horas no teatro. Foram duas horas sem respirar... Transitei do riso suave às lágrimas, num crescendo incessante de emoção que mais parecia uma onda gigante sem qualquer vestígio de que, em algum momento, havia sido marola.

Atores lindos, competentes, sensíveis, sem medo de demonstrar as mais profundas e cortantes emoções que o corpo humano pode produzir, mesmo sob as condições mais absurdas de sobrevivência. E detalhe: tudo isso tem base histórica.

O holocausto nazista é historicamente real e sua perseguição aos homossexuais é amplamente conhecida por aqueles que se interessam pela história da Alemanha antes, durante e depois da 2a. Guerra Mundial. Nomes, datas e lugares conferem realidade ao texto. A sensibilidade à flor da pele dos atores transforma idéias, sentimentos, esperanças, medos, amor em ossos, carne, pele, hálito bem diante dos nossos olhos, aprisionados a cada movimento, cada som, cada sinal de luz ou de escuridão durante o espetáculo. Impossível sair dali sem estar sob o poderoso impacto de quão grande é o amor, mesmo em contextos hostis, fossem na Alemanha de Hitler ou pelas garras de homofóbicos descontrolados que  continuam assassinando homossexuais pelo Brasil .

Amigos leitores desse blog, não se contentem com o que acabaram de ler. Vejam o espetáculo. Há uma apresentação neste domingo, dia dos pais, às 19h. E depois disso, somente de quinta a domingo desta semana que vai entrar agora. A peça sai de circuito no dia 17 de agosto. A idade é mínima é de 16 anos. A bilheteria do teatro fica aberta a partir das 14h para a venda de ingressos. Não perca. Veja. Depois volte e compartilhe o que sentiu. Não dá para ver esse espetáculo sem sentir uma voluptuosa mistura de emoções que nos conduzem, par e passo, pelos caminhos do amor em sua entrega e resistência - entrega a seu objeto amado e resistência àqueles que usam de toda sordidez para impedir a realização de seu alvo supremo: tornar-se um com objeto de seu afeto.

P.S.: Um amigo meu chamado Marcelo já havia falado da peça pra mim, mas foi o recado do meu amigo Cardo que me deu o xeque-mate. Obrigado, meu mais poético visitante. Abração, Cardo.



Escrito por Sergio às 22h09
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Jornal O Tempo, de Belo Horizonte, em 09/08/2008

Esta é a minha mais recente entrevista. Foi feita pelo Jornal O Tempo, de Belo Horizonte, por Renata Medeiros.

Religião
Saindo do inferno

Superação. Sérgio viula hoje vive feliz com o companheiro, após assumir sua homossexualidade

Renata Medeiros

No altar o rapaz, que aparenta ter entre 20 e 25 anos, treme e, com voz feminina, confessa frente a vários fiéis seu "pecado": "sou homossexual". Enquanto ele, deitado no chão, rola de um lado para o outro como se realmente tivesse um espírito maligno dentro de si, o pastor grita à multidão: "A homossexualidade nada mais é do que o demônio dentro do corpo da pessoa.

Esse demônio precisa ser retirado para que a pessoa se veja livre do pecado". Minutos depois do religioso dizer que expulsou o diabo, o rapaz se levanta e, já com a voz masculina, declara estar "curado". "Agora o que quero é arrumar uma namorada e ter uma vida ‘normal’", afirma à multidão.

O rapaz conta que, quando ainda estava no ventre materno, a avó jogou nele uma "praga" e essa foi a explicação dada para justificar sua preferência pelo sexo masculino. Os fiéis acompanham a cena atentamente e as palavras do pastor são recebidas com aplausos e admiração. Minutos depois, o rapaz retoma seu lugar junto aos fiéis para terminar de assistir à pregação.

A cena descrita foi acompanhada pela repórter do Magazine durante uma sessão de descarrego em uma igreja evangélica de Belo Horizonte. Algumas instituições religiosas espalhadas por todo o Brasil utilizam essa e outras práticas na tentativa de "curar" o homossexual. O medo do preconceito, da homofobia e até mesmo a fé são alguns dos motivos que levam gays a buscar alternativas para mudar sua orientação sexual. Porém, quem já passou por essa situação dá a receita: para viver em paz, o melhor é assumir a homossexualidade.

A reportagem tentou falar com os pastores da instituição sobre o assunto, mas não obteve resposta.

Foto: Pedro Kirilos


Superação. Foi aos 12 anos que Sérgio viula, hoje com 38, teve sua primeira experiência homossexual. Devido a piadas e deboches que sempre ouvia a respeito de gays, aos 14, resolveu que não se envolveria mais com rapazes. Dois anos mais tarde, decidiu procurar uma igreja evangélica por acreditar que ali haveria uma resposta para seu suposto problema. Viula se tornou pastor, casou e teve dois filhos. Ele ainda foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), grupo criado com o objetivo de, por meio de orações, auxiliar pessoas que desejam deixar de ser homossexuais. "Eu realmente acreditava que não era mais gay", relata.

Apesar da convicção de que era heterossexual, Viula conta que, além de ter sonhos eróticos com homens, continuava a ter desejo por eles e se culpava por isso. "Meu trabalho dentro da igreja continuava crescendo, mas não importava o quão longe eu ia, o desejo estava sempre comigo", diz.

Foram anos de conflito consigo mesmo até que, em 2004, ele deixou tudo para trás, inclusive a religiosidade, se assumiu gay e há um ano vive com seu companheiro. Viula conta ainda que a relação com os filhos não poderia ser melhor. "Pergunto às vezes porque demorei tanto tempo para me assumir gay. Hoje estou feliz, faço o que desejo, sem culpa, sem ter em mente que vou me queimar no fogo eterno devido aos meus atos", comenta.

Na igreja que frequentava não eram realizadas sessões de descarrego para "libertar" o homossexual, porém, ele diz já ter presenciado a cena em outras instituições e chegou a acreditar na "expulsão do demônio", quando se converteu e ainda não tinha conhecimentos profundos sobre a religião. Hoje, ele considera a prática um absurdo. "Isso é um abuso contra o gay. Quando era pastor, já aconteceu de a pessoa passar pela sessão de descarrego e pouco tempo depois vir me procurar chorando, dizendo que já havia transado novamente com pessoas do mesmo sexo", relata.

Mudança. A história da hoje integrante da Articulação de Lésbicas Cristãs (Alecris) Cláudia Machado, 33, é parecida com a de Viula. Foi ainda na adolescência que ela passou a se interessar por pessoas do mesmo sexo, algo abominável para a igreja que freqüentava desde seus sete anos. "Eu não sabia ao certo o que era a lesbianidade, mas entendia que dentro de mim tinha algo que ia contra o que os pastores pregavam", conta. Com a revelação, logo começaram os jejuns, as orações e a leitura bíblica junto à mãe. "Eu vivia um conflito constante. Realmente acreditava que havia um ser maligno dentro do meu corpo", relata.

Em 1999, o desejo falou mais alto e Cláudia começou a namorar uma mulher. Os problemas trazidos pela relação, principalmente desentendimentos com os pais, fizeram Cláudia retornar às orações e a entrar no Moses. "Passei então a acreditar que não era mais lésbica. Virei cantora evangélica e dava testemunho de que Deus tinha me libertado, me ‘curado do pecado’", diz. Porém, essa realidade começou a mudar. Noiva de um rapaz, Cláudia não sentia desejo algum por ele e sonhava que tinha relações com mulheres. Ao contar aos pastores sobre seus desejos, ela somente ouvia: "O importante é não ceder à tentação". "Eu dizia uma coisa e sentia outra. Eu era uma pessoa frustrada, sem perspectiva", desabafa.

Tais motivos levaram Cláudia, naquele mesmo ano, a abandonar o Moses e a procurar o Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (Colerj), onde não somente encontrou o apoio que precisava como também conheceu sua companheira. "Na verdade nunca deixei de ser lésbica. O ex-homossexual não existe, o que há é um condicionamento que faz com que a pessoa viva com seus desejos reprimidos", comenta. Cláudia faz parte hoje de uma igreja que aceita a homossexualidade e, sobre o "diabo", que ela acreditava habitar seu corpo anos atrás, a integrante do Alecris diz que "na verdade ele nunca existiu". "O que realmente estava dentro de mim era a ignorância e o preconceito", conclui.




 
Cláudio Nascimento acha que religiosos não podem incitar violência
Religião
"Não há o que curar ou explicar", diz Oswaldo Braga


Renata Medeiros

Intolerância, falta de informação e o radicalismo pregado dentro de algumas instituições religiosas são apontadas por militantes como pontos perigosos que podem trazer graves consequências. Entre elas, o crescimento do preconceito e o aumento da homofobia.

A Igreja Católica e as evangélicas não aceitam a relação entre dois homens ou duas mulheres e ambas acreditam que o gay pode deixar de lado a homossexualidade. O superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, Cláudio Nascimento, lembra que tais instituições têm o direito de se expressar e garantir que sua visão seja reconhecida. Porém, ele alega que tal ponto de vista deve ser defendido sem que haja a dissipação do ódio. “O poder que possui um líder religioso não pode ser utilizado como uma incitação à violência. Acredito que ao assistir uma sessão de descarrego muitos fiéis acreditam fielmente no que é dito pelo pastor e isso pode ajudar a aumentar o preconceito contra o gay”, diz ele, que também integra o Grupo Arco-Íris de conscientização homossexual.

Escolha. Muitos homossexuais buscam por conta própria tais sessões, ou outras alternativas, com intuito de se “tornar” heterossexual. Para Nascimento, isso acontece porque a homossexualidade foge ao “padrão” e se assumir gay pode ser algo muito difícil, principalmente devido à não-aceitação da sociedade. “Alguns homossexuais passam por momento de culpa, medo, e esses religiosos se aproveitam disso. Essas sessões nada mais são do que a exploração da tristeza humana”, comenta.

A falta de informação também acaba se tornando uma inimiga. De acordo com a advogada da área do direito homoafetivo Emília Mitre, o fato de se acreditar que a homossexualidade é algo imoral, assim como o apego exagerado às crenças religiosas, pode levar as pessoas a práticas extremas, a exemplo das sessões de descarrego. “Com o devido respeito à religiosidade de cada um, entendo que a afirmação de que o homossexual teria ‘o diabo no corpo’ nada mais é do que a pura demonstração do desconhecimento de sua verdadeira identidade. Essa é uma tentativa desesperada de impedir, como se fosse possível, que alguém viva sua sexualidade”, avalia.

Impasse. Religião e homossexualidade, para o presidente do Movimento Gay de Minas Gerais (MGM), Oswaldo Braga, são assuntos completamente distintos, que teimam em andar juntos. “Não me proponho a discutir um pensamento que justifique a homossexualidade como algo sobrenatural. Ela é real e concreta”, comenta.

Dizer que o homossexual está possuído pelo demônio, de acordo com Braga, não passa da tentativa de dar uma explicação ao fato de uma pessoa ser gay e qualquer idéia que tente desvendar a homossexualidade cai no preconceito. “Não há nenhum problema em ser gay. Não há o que curar, o que explicar. Por que não discutir então a ‘causa’ da heterossexualidade?”, critica. “Quando o religioso diz ter tirado o demônio de dentro do homossexual, ele na verdade tirou daquela pessoa o direito de ela ser ela mesma. Deve ser garantido ao indivíduo o direito de viver a sua sexualidade e, se existe algum diabo para ser retirado de algum lugar, então que seja do corpo dos homofóbicos”.




Escrito por Sergio às 07h18
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Em Pequim, somente 10 atletas são assumidamente homossexuais

 

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Número de atletas homossexuais nos Jogos de 2008 está empatado com o de 2004 mas só inclui um homem. Além disso, existe um jogador de softball bissexual.

De acordo com Jim Buzinski, dos 10.708 atletas que marcharam através do estádio olímpico Ninho do Pássaro em Pequim nesta sexta, o Outsports (organização que atua no meio esportivo, especialmente voltada para os atletas e assuntos homossexuais) conhece apenas 10 atletas que são publicamente gays, mesmo número dos Jogos de 2004. Há também um jogador de softball que é americano e bissexual.

Entre os 10 gays olímpicos publicamente assumidos este ano, consta somente um homem: Matthew Mitcham (Austrália, mergulho). As lésbicas assumidas são: Judith Arndt (Alemanha, ciclismo), Imke Duplitzer (Alemanha, esgrima), Gro Hammerseng e Katja Nyberg (Noruega, handball e casadas), Natasha Kai (Estados Unidos, futebol), Lauren Lappin (Estados Unidos, softball), Victoria "Vickan" Svensson (Suécia, futebol), Rennae Stubbsd (Austrália, tênis) e Linda Bresonik (Alemanha, futebol).



Matthew Mitcham será atenciosamente acompanhado pelo Outsports Olympics 2008 blog

 

 

 

As jogadoras norueguesas de handball Gro Hammerseng, à esquerda, e Katja Nyberg são um casal.

Em contraste, havia 11 atletas assumidamente gays em Atenas, 2004 (dois a mais: a estrela do basquete  Sheryl Swoopes e a ginasta australiana  Ji Wallace, que saiu do armário logo em seguida) e 07 nos Jogos de Sydney em 2000.


Não há dúvida de que existem muito mais homossexuais e lésbicas competindo em Pequim, mas estes 10 são os únicos que podemos designar como publicamente assumidos, havendo discutido sua sexualidade abertamente de algum modo.


Matemática simples pode ilustrar a escala de atletas gays em Pequim, levando em conta os 10.708 participantes no total. Se 10% forem gays, isso significaria 1.070 atletas. Mesmo que tomássemos a extremamente baixa base de 1%, isso levaria ao total de 107 atletas gays. Pesquisadores como Eric Anderson da Universidade de Bath na Inglaterra (e um colaborador para a Outsports por muito tempo) diz que a porcentagem de gays nos esportes espelha a porcentagem de gays na população total, estimada entre 2% e 10%.


Mantendo um segredo

As razões por que atletas ficam no armário são variadas, mas giram principalmente em torno do medo das conseqüências de assumirem-se - dos efeitos sobre a performance, interação com os colegas de equipe, fãs e mídia, e, em alguns casos, patrocínio. Além disso, a maioria dos atletas tem menos de 30 anos, um tempo em que mesmo as pessoas que não são elite estão lutando com sua sexualidade. Ser um atleta olímpico requer dedicação em tempo integral e muitas outras coisas junto. É mais fácil esconder e lidar com a própria sexualidade mais tarde.

Nota do "Fora do Armário": A gente sabe de atleta brasileiro que não está nessa lista, mas devia estar. Provavelmente, isso se deve aos motivos discutidos nesse artigo. Tomara que ele traga muito ouro para o Brasil e um dia nos brinde com uma orgulhosa saída do armário!!!

Fonte:http://www.outsports.com/os/index.php/Olympics/2008/In-Beijing-Olympics-only-5-openly-gay-athletes.html

Traduzido e adaptado para este blog por Sergio Viula



Escrito por Sergio às 15h37
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Despedida dos palcos

'Bent' faz temporada popular no Teatro João Caetano

 Globo Online

Cena da peça 'Bent' / Divulgação

RIO - Sucesso de crítica e público desde que estreou em 2006, o espetáculo "Bent" prepara agora sua despedida dos palcos. Para uma saída em grande estilo, a peça ganha, a partir desta quinta-feira, uma temporada popular no Teatro João Caetano, com ingressos a R$ 4 (inteira) e R$ 2 (estudantes e idosos).

O público terá apenas quatro semanas para assistir à montagem do diretor Luiz Furlanetto. Premiada em todos os países onde foi encenada, a peça de Martin Sherman conta a perseguição dos nazistas aos homossexuais e o cotidiano destes no campo de concentração através da trajetória de Max (Augusto Zacchi). Nos anos 30, na Alemanha nazista em plena caça aos homossexuais, o jovem Max tenta fugir de Berlim, mas é capturado e enviado para um campo de concentração, não como homossexual e sim como judeu. Lá conhece Horst (Gustavo Rodrigues), preso por assinar um manifesto em favor dos direitos homossexuais, com quem vive uma inesperada e secreta história de amor.

BENT Texto: Martin Sherman. Direção: Luiz Furlanetto. Com Augusto Zacchi, Gustavo Rodrigues e outros. Teatro João Caetano: Praça Tiradentes s/n, Centro - 2299-2141. Qui a dom, às 19h. R$ 4. 90 minutos. Até 17 de agosto. Não recomendado para menores de 16 anos.



Escrito por Sergio às 12h39
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O típico cristão "feliz"

 

Essa charge é muito ilustrativa. Conheci e ainda encontro muitos cristãos que garantem que são felizes, prósperos e saudáveis graças a deus. Olhando mais de perto, a maioria anda bastante perturbada não só com os problemas que a vida traz naturalmente, mas ainda com a tentativa de conciliar as caducas doutrinas cristãs com a vida moderna e seus desafios novinhos em folha. Muitos dos que se dizem prósperos e dão até testemunhos de prosperidade na igreja estão, de fato, devendo muito aos pequenos e traiçoeiros milagres dos cartões de crédito e dos empréstimos "fáceis". Tem gente pegando dinheiro emprestado para dar dízimo e fazendo ofertas por cartão de crédito, inclusive nos templos. Isso não mais exclusividade dos tele-evangelistas. Não preciso nem dizer que tem gente morrendo e dizendo que Jesus curou. Pensam que comprometendo a "honra de deus" dessa maneira, ele se sentirá obrigado a atender seus insistentes pedidos por cura miraculosa. E o que mais existe por aí são pastores que dizem: "Vai em paz. O senhor te curou.", porque não estarão por perto quando o pobre do crente voltar para a vidinha miserável que ele havia deixado em casa quando foi ao culto, à cruzada, à sessão de descarrego, ou qualquer outro tipo de reunião que já se tenha inventado para arrancar dinheiro e aplausos dos fiéis.

A vida é muito melhor sem o peso morto da igreja e seu cristianismo. Posso garantir isso por experiência própria. Mas não adianta abandonar os bancos da igreja e continuar permitindo que suas asneiras contaminem sua imaginação. Lugar de morto é no cemitério e não existe coisa mais morta do que a idéia amplamente anunciada pelos pregadores eletrônicos e seus congêneres de que há vida após a morte e de que o passaporte para essa alucinação é a fé em um deus tão real quanto saci pererê, coelhinho da páscoa e papai noel. A vida pode ser maravilhosa, mas não no que depender da igreja, seus dogmas e mitos. Neurose nunca produziu saúde. A igreja é uma eficiente (se não for a maior) produtora de neuroses.

Quer saber de uma coisa? A felicidade depende em grande parte de como você vive seu próprio potencial intelectual, emocional e físico. Tudo isso é corpo, mas quem fica preocupado com a falácia da imortalidade da alma nunca conseguirá explorar a beleza e grandeza de tudo isso.



Escrito por Sergio às 21h12
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Sargento gay preso conquista a liberdade

 

Finalmente, o sargento Laci de Araújo conquistou a liberdade na tarde de quarta-feira passada (30/07) e já está em casa. Ele conseguiu um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta terça (29). Ele foi preso depois de dar uma entrevista à revista Época assu assumindo seu relacionamento com o então sargento Fernando de Alcântara Figueiredo. O Exército o acusou de deserção.

A defesa de Laci havia entrado com hábeas corpus no STF na quinta-feira da semana passada com o argumento de que não havia motivos para se manter a prisão provisória do sargento. O principal argumento da defesa era a presunção de inocência.

“Para se manter a prisão antes da condenação final é preciso apontar fundamentos e isso não acontece nesse caso. A prisão é a exceção, a regra é a liberdade durante o processo”, argumentou o advogado Márcio Palma ao pedir o habeas corpus ao Supremo.

Para Ariel de Castro, secretário-geral do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), a decisão de Gilmar Mendes abre jurisprudência ao conceder a liberdade a um militar preso, uma vez que o Código de Processo Penal Militar não dá direito a habeas corpus para militares. “A decisão fortalece ainda a pressão que estamos fazendo para a revisão do Código de Processo Penal Militar".

EXtraído e adaptado de http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL706463-5598,00.html



Escrito por Sergio às 20h45
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